12/10/11
Piratas invadem a Marcha contra a Corrupção em Brasília
Campanha Fim aos Paraísos Fiscais participa da mobilização com homens e mulheres vestidos de piratas. O objetivo é chamar a atenção para o dinheiro ilícito que circula na economia mundial e cobrar medidas concretas dos líderes contra os paraísos fiscais.
Assessores políticos do Inesc estarão presentes na Marcha fantasiados de piratas
11 de outubro de 2011
A II Marcha contra a Corrupção e a Impunidade, que ocorre nesta quarta-feira (12/10) em Brasília e em outras 17 cidades do país, irá reivindicar a constitucionalidade do projeto Ficha Limpa, o fim do voto secreto nas deliberações do parlamento e a defesa do Conselho Nacional de Justiça.
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) participará da Marcha e, na oportunidade,divulgará a campanha Fim aos Paraísos Fiscais. Dentre os materiais a serem utilizados, estão faixas e panfletos, além da equipe caracterizada de pirata. Alguns adolescentes do Projeto Onda: Adolescentes em Movimento pelos Direitos, desenvolvido diversas escolas do Distrito Federal, também irão participar do momento.
De acordo com Lucídio Bicalho, assessor político do Inesc, a iniciativa é uma brincadeira, mas a mensagem é séria. O pirata é um símbolo para o que acontece no sistema financeiro desregulado. “Pirata é aquele que rouba bens de valor e a riqueza de uma sociedade, e algo semelhante existe também na lógica dos paraísos fiscais. Parte do dinheiro ilícito que circula na economia mundial, aquele proveniente de corrupção, evasão de tributos e tráfico de drogas, por exemplo, são guardados nos paraísos fiscais e ficam livres de impostos. E por não haver controle, troca de informações e fiscalização sobre quem é o responsável pela quantia lá guardada (sigilo), muitas vezes o dinheiro, depois de lavado, volta para o país de origem na forma de investimento”.
A concentração da Marcha em Brasília será na Praça da República, às 10h, e deverá marchar – via Eixo Monumental -até a Praça dos Três Poderes, onde será entoado o Hino Nacional.
Saiba mais
No dia 26 de julho, o Brasil lançou oficialmente a campanha Fim aos Paraísos Fiscais (www.fimaosparaisosfiscais.org). Mais de 50 organizações em todo mundo, entre elas, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)*, responsável pela campanha no Brasil, se unem para exigir que os líderes do G20 adotem medidas para requerer que empresas publiquem o lucro verdadeiro que obtêm, principalmente em países em desenvolvimento, e que paguem os impostos devidos, deixando de usar os artifícios que ajudem na sonegação. Parte desses artifícios são justamente o envio do lucro não declarado para paraísos fiscais. Depois que esse dinheiro sai dos paraísos a legalidade não é mais questionada.
Em uma pesquisa realizada em 2009, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário detectou fortes indícios de sonegação fiscal em aproximadamente de 26,84% das empresas pesquisadas[ii]. O estudo apontou que tributos sonegados pelas empresas somavam R$ 200 bilhões por ano e, somados os tributos sonegados pelas pessoas físicas, a sonegação fiscal no Brasil atingia 9% do Produto Interno Bruto.
